20 novembro 2017

Ana Beatriz ― desafio 129

Eunice era violentada pelo marido. O filho pequeno e o respeito pelas tradições impediam-na de abandonar aquele antro. Após várias tentativas, acomodou-se num recanto, mas acalentava a esperança de ser feliz.  
Estava muito calejada, alguém a esmagara em lágrimas!
Um acidente despertou-a, voltou a acreditar.
Num dia de ventania, Eunice apaixonou-se perdidamente. Que tontice! Tanta alegria! Deixou de respirar ― sufocava, tremia ― fugiu.
Desencantadalamenta-se, mas perdoa-se. Mentaliza alguém que, curando as suas fragilidades, destape o seu fascínio.
Ana Beatriz, 39 anos, Lisboa
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Chica ― escritiva 26

A natureza humana é comprovadamente cheia de mistérios.
Atualmente convites para reuniões, encontros de amigos e ou família, de repente, ao olhar para o lado, vemos pessoas cada uma com seu celular, absortos com o olhar na pequena telinha, e dedos ágeis digitando. Ao lado, cônjuges, mães, pais são relegados à segundo, terceiro ou décimo plano.
Há de se promover a volta à presença EFETIVA! Nada substitui conversas, trocas de opiniões ao vivo!
Haverá esse retorno? Tomara!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Escritiva 26 – mistérios da natureza humana


Elsa Alves ― desafio RS 33

A história deles começou num poema. Foi-se fazendo de palavras, imaginando-se para elas um rosto e escrevendo-se a vida com as cores de cada dia. Caíram ambos em muitas metáforas, em correntes que os levaram duma margem do rio para a outra; era, afinal, uma separação. Sobreviveram algum tempo, agasalhados pela esperança duma ponte, mas alargaram-se as demoras e as desilusões. Finalmente, naufragaram em terra firme. Hoje são apenas um texto que não acabou de ser escrito.
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafio RS nº 33 – uma história de enganos


Margarida Freire ― desafio 121

Luísa pousou o livro. Endireitou-se, respirou fundo e leu tudo novamente.
NADA MAIS HAVIA A FAZER. O erro tinha de ser corrigido, antes que houvesse mais ‘acidentes’.
SE TIVESSE EVITADO… mas, o quê? O que é tinha acontecido?
Fora tão cuidadosa! Seguira rigorosamente as instruções, pesara tudo….
Afinal, o que correra mal?
AGORA RESTAVA tentar outra vez, porque…
De repente deu um salto. Fizera-se luz.
― Burra, burra… então não é que me esqueci de ligar o forno?
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos



Amália da Mata e Silva ― desafio RS 39

Meu Deus, como gosto de ti! É um sentimento muito forte que nem sequer sei onde se conclui. Voo no céu por ti, mergulho em profundos e misteriosos sítios, corro por estreitos ou imensos trilhos pedestres... Sonho no negrume do meu triste dormitório, sozinho, sem ti, nem ninguém. Onde e como vou obter, meu bem, o teu porte físico junto de mim?
Por fim, desperto coberto de suor do esforço que fiz em remexer tudo por ti. Amália da Mata e Silva, 62 anos, Vila Franca de Xira
Desafio RS nº 39 – história de amor sem A!


Susana Sofia Miranda Santos ― desafio RS 12

Joana tinha 6 anos. Era uma menina sonhadora. Possuía uma alma criativa.
Durante as noites, sonhava. De manhã, lia imenso. De tarde, escrevia poesia. Era uma romântica nata! 
Os livros faziam-na feliz. A escrita dava-lhe inspiração. Era uma criança talentosa!
Gostava de brincar sozinha.
Apreciava somente ler, escrever. 
Sonhava, lia, escrevia, divagava. Era uma mente intelectual.
Mas... abominava a escola. Aquelas disciplinas eram entediantes. Tudo era demasiado simples.
Estudava o que desejava.
Lutava contra imposições.
Liberdade... sempre!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio RS nº 12 – texto em prosa com frases de 4 palavras


Amália da Mata e Silva ― sem desafio

O Abílio vivia em Braga, mas nascera em Vouzela. Trabalhava na boutique do Azevedo.
Quando chegava a casa, beijava a sua Bárbara e logo ia correndo para os Bombeiros Voluntários... Mas, isto sou eu a contar porque se fosse ele diria: sou o Avílio, bibo em Vraga e nasci em Bouzela. Travalho na vutique do Azebedo. Quando chego a casa, beijo a minha Várvara e logo vou correndo para os Vonveiros Voluntários.
Língua difícil esta nossa, não?
Amália da Mata e Silva, 62 anos, Vila Franca de Xira

Susana Sofia Miranda Santos ― escritiva 8

Eu sou extremamente criativa, graças à leitura. Contudo, a minha capacidade para operacionalizar as ideias é exígua.
Assim, se fosse milionária, contrataria um cientista para fazê-lo imediatamente.
O primeiro passo seria conceber um chip para comandar o aparelho vocal das entidades aborrecidas para que, quando iniciassem sermões, conversas fúteis, se pudesse desligar, perdendo completamente o som.
O silêncio é tão agradável, pacífico e construtivo para a Humanidade... permite ler, escrever, a imaginação flui, que mais poderemos desejar?!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Escritiva nº 8 ― invenção que muda o mundo


Escritiva nº 26

Viajo com frequência, é um facto. Gosto de observar comportamentos humanos, é outro facto, e devo dizer que há série de coisas que, como se diria na minha terra, me “fazem espécie”, ou seja me deixam intrigada.
Uma delas é esta mania, que já se tem estendido no tempo e no espaço, de fazer filas nas portas de embarque imenso tempo antes de começar o embarque. E não me venham com a conversa de que não há lugares marcados porque é uma treta, as pessoas adoram fazer filas, tenham ou não lugares marcados. Parte boa? Agradeço ter gente organizada à minha volta, mas fico um bocadinho ansiosa porque desconfio sempre que sou eu que vou ficar sem lugar no avião ou coisa que o valha.
Outro “mistério da humanidade” é a técnica da “mochila como companheira de viagem”. Passo a explicar: há gente que, mal se senta, põe logo a mochila no lugar do lado, sendo que NUNCA vi ninguém comprar um bilhete para a sua mochila querida.
Ora quando eu tenho a veleidade de perguntar “Está ocupado?”, a cara é sempre de “Não vê que vou ter que pôr a minha mochila no chão? Como é capaz de fazer isso?”
Bom, de certeza que vocês também se encontram com estes e outros “mistérios da natureza humana”.

Eu partilho aqui um que não deixa de me surpreender:
Os auriculares inventaram-se para cada um ouvir a música que quer, mas há quem não os use como deve e insista em subir o volume partilhando o seu mau gosto com toda a gente. Por que é que só quem tem maus gostos musicais é que é assim generoso? Apelo aos amantes da boa música que saiam à rua, ponham o volume no máximo e deixem o bom gosto transbordar dos vossos auriculares para os nossos ouvidos.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca

Escritiva nº 26 – mistérios da natureza humana

17 novembro 2017

Luís Capela ― sem desafio

Mandasse no mundo
Se mandasse no mundo acabava com residenciais. Mandava todos para casa.
Lá, haveria camas robot… movimentavam-se. Os braços e mãos cama robot levantavam-me da cadeira e deitavam-me na cama e vice-versa.
A banheira ficava debaixo da cama… robot despia-me a roupa… cama virava-se para baixo. Entrava e tomava banho! Robot erguia-me, máquina de vento secava-me e na cama vestia-me. Tocava estalos com os dedos, saía comida do tecto… abria a boca, petiscos caíam dentro de mim. Se…
Luís Capela, 33 anos, Mealhada


Martim Mendes ― desafio 129

S. Martinho, valente soldado, procurava uma donzela. Grande tentativa! Caminhou pela floresta, mas uma tempestade desabou, derrubando-o do cavalo. Ele, cheio de fome, de frio e abandonado pelo cavalo, encontrou castanhas. Martinho arrastou-se para uma gruta, encontrada milagrosamente, resolveu aquecer-se e alimentou-se com os frutos secos. De repente, apareceu um agrupamento de pessoas, que espreitaram pela entrada. Vinha a donzela Altina, segurando o cavalo fugitivo. Houve tanta algazarra que resolveram acampar no Castelo de Almourol, em Constância.
Martim Mendes, 13 anos, 8.º D- Escola Eugénio de Castro – Lisboa
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Sérgio Felício ― desafio 7

Ilha
Entrei numa ilha.
Tanta água à volta da terra.
Sete palmeiras, alguns animais - sete espécies!
Azuis cor do céu, branco das nuvens, castanhos de areia quente, verde… faz-me lembrar uma imagem… paz!
Na ilha estavam sete pessoas. Verdade seja, sete seres de outro planeta. Falavam sete línguas que ninguém percebia… apenas eles.
Aqueles sete indivíduos foram ali parar por ser uma ilha deserta. Ali eu fui parar perdido. Ficámos assustados com sete olhares e ali permanecemos distantes.
Sérgio Felício, 37 anos, Coimbra
Desafio nº 7 – história onde entre 7 vezes o número 7


16 novembro 2017

Rita Vale ― desafio RS 9

No meu décimo aniversário, já não via o meu pai há um mês.
Divertia-me imenso com as minhas amigas, abria prendas, cantávamos, dançávamos, festejávamos, etc...
Chegou o momento de me cantarem os parabéns. Entretanto, a minha mãe disse-me que tinha uma última surpresa. Mandou-me fechar os olhos, e, quando os abri, deparei-me com o meu pai a olhar para mim.
Agarrei-me logo a ele a chorar de alegria e prometi-lhe nunca mais o largar. Que grande surpresa!!
Rita Vale, 10 anos, Colégio Paulo VI - Gondomar, Profª. Raquel Almeida Silva
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida


João Cruz ― desafio RS 9

Miguel, 28 anos, não tem filhos, não tem preocupações, mas não tem o que quer.
Como é um grande futebolista, não leva a vida que desejava: não sai à noite, não bebe bebidas gaseificadas, não come francesinha há oito anos, não tem namorada, não tem carro nem a casa que desejava, não se veste de marca, não tem tempo para visitar a família, em suma, não tem vida própria.
Quinze anos de carreira não valem tanto esforço! 
João Cruz, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não


Maria do Céu Ferreira ― desafio 129

Promessa Honrada
Como era natural,
Atamancava à noitinha,
Depois de todos cearem,
Ia buscar a farinha.

Atalhando ao moinho,
Viu a porta destrancada,
Com a lanterna na mão,
Viu a farinha roubada…

Naturalmente anotado,
Estava um papel desgastado:

«Os meus filhos têm fome…
Para o ano, eu voltarei.
Não pago nem deixo nome,
Este pão devolverei.»

Passado um ano certinho,
Abrindo a porta trancada,
O meu pai foi ao moinho…
Essa farinha lá estava…
E nunca soube mais nada!...
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Matilde Faria ― desafio RS 44

Não sabia como começar, li e reli a proposta, mas nada me ocorria. Pensava numa maneira de ter um título apelativo ou, até mesmo, um texto corretamente redigido. Foi difícil encontrar as palavras, mas algo tinha que escrever. Pesquisei e nada descobri. E agora?
Um texto tem de ser sentido, não pode ser uma sequência de vocábulos “à sorte”. As palavras têm de fluir, nunca haverá um plano certo para escrever. Será que descobri o meu estilo?
Matilde Faria, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Desafio RS nº 44 – reflexão em 44, contrário em 33

Beatriz Soares ― desafio RS 9

A melhor prenda de sempre!
Foi com dois anos que recebi a melhor prenda de sempre...
A verdade é que dava muito trabalho! Mas valeu bem a pena!
Dá para acreditar? Não foi o Pai Natal, nem a Fada dos Dentes, nem os meus tios, avós,... que ma trouxeram!... Foi umacegonha!...Uma cegonha bem simpática, que, no dia vinte e seis de novembro do ano dois mil e oito, me deu um pequerrucho rabugento e a alegria indescritível de ter um irmãozinho!
Beatriz Soares, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida


Francisco Vilhena ― desafio RS 9

Presentes?! Mas que excelente mote para redigir este texto… Os melhores presentes que já recebi foram os meus irmãos: António e Lourenço. Somos verdadeiros amigos e companheiros nos jogos, traquinices e brincadeiras. Divertimo-nos imenso, partilhamos tudo em família e sabemos que podemos contar uns com os outros. É um orgulho ser o mais velho dos três! Juntos, somos mais fortes, mais alegres e mais felizes. Em cada dia, com o meu melhor presente, construo um bom presente.
Francisco Vilhena, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida 

Afonso Ramos ― desafio RS 9

UM DIA FELIZ
Naquela tarde fria de primavera, eu estava a saborear uma torrada com chá, em minha casa.
Quando a minha mãe chegou, estava enjoada.
Alguns meses depois, chamou-nos para irmos jantar. Quando nós subimos, tinham-lhe rebentado as águas. Fomos diretos para o hospital. Fiquei radiante, pois sabia que ia nascer o meu irmãozinho. Essa, para mim, foi, sem dúvida alguma, a melhor prenda do mundo! Fiquei tão feliz que só sorria, saltava e corria de alegria pelo hospital!
Afonso Ramos, 11 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Desafio Rádio Sim nº 9 – A melhor prenda que recebemos na nossa vida 

Amália Mata e Silva ― desafio 129

Natália, podes, por favor, dar-me aqui uma mãozinha?
Naturalmente, minha querida amiga! Já sabes que o faço com todo o prazer!
― Preciso fazer um doce natalício, mas que não leve natas... parece que a Natacha e o Natário são alérgicos, vê tu.
― Vamos então encontrar um doce que leve só leite desnatado. Assim é natural que todos fiquem bem, para podermos ir assistir à Sonata do Laginha que um qualquer magnata benemérito oferece no dia de Natal.
Amália Mata e Silva, Vila Franca de Xira
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA